quinta-feira, 10 de setembro de 2015

PENSANDO UM POUCO SOBRE O ENSINO BÍBLICO DA MEDITAÇÃO...





A IMPORTÂNCIA DA MEDITAÇÃO
PARA O EXERCÍCIO DA PIEDADE
Texto: Salmo 19.14

INTRODUÇÃO:

Nesta oportunidade eu gostaria de falar sobre a importância da meditação para a vida cristã. 
Mas, afinal, o que é meditação?
  • Costumamos associar “meditação” a aquilo que as religiões orientais ensinam;
  • Mas a meditação é um ensino bíblico e muito praticado pelos cristãos em todas as eras.
  • Talvez nós não tenhamos muita familiaridade sobre o assunto porque pouco se fala sobre a meditação ensinada pela Palavra de Deus.

Frase de Transição: Vejamos alguns ensinos práticos sobre a meditação:

I – DEFINIÇÃO E NATUREZA DA MEDITAÇÃO
A palavra “meditar” significa “pensar sobre” ou “refletir”. Significa ainda “sussurrar, fazer ruído com a boca... Implica o que expressamos por meio de um solilóquio ou falar consigo mesmo”. Esse tipo de meditação envolvia recitar para si, em espaçado murmúrio, passagens da Escritura que alguém armazenava na memória.
Diversas passagens da Bíblia mostram a prática da meditação ou a recomendação dela:
Gn 24.63: “Saíra Isaque a meditar no campo, ao cair da tarde...”
Josué 1.8: “Não cesses de falar desse Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite...”
O termo “meditação” aparece com mais frequência nos Salmos do que em todos os demais livros da Bíblia juntos.
Salmo 1.2: “... E na sua lei medita de dia e de noite...”
Salmo 63.6: “No meu leito, quando de ti me recordo e em ti medito, durante as vigílias da noite”.
Salmo 119.15: “Meditarei nos teus preceitos e às tuas veredas terei respeito.”
Salmo 119.97: “Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia!”
Salmo 119.148: “Os meus olhos antecipam-se às vigílias noturnas, para que eu medite nas tuas palavras.”
Para os puritanos, a meditação exercita, ao mesmo tempo, a mente e o coração. Thomas Watson definiu meditação como “um santo exercício da mente por meio do qual trazemos à memória as verdades de Deus, ponderamos seriamente sobre elas e as aplicamos a nós mesmos”.
A meditação é como um óleo que lubrifica uma máquina. Assim, quando lemos as Escrituras, ouvimos um sermão e oramos, a meditação faz com que essas atividades envolva todo o nosso ser, promovendo crescimento espiritual.
Os puritanos falavam sobre dois tipos de meditação – Ocasional e Deliberada.
Meditação Ocasional – Ocorre com o uso dos sentidos e pode ser praticado em todo tempo. Exemplo: Prov. 6.6 (observação da formiga); e João 4.13-14 (Jesus compara a água com sua obra salvadora).
Entretanto, precisamos tomar cuidado com esse tipo de meditação para não a transformarmos em superstição, como ocorreu com a ICAR. A imaginação de alguém tem de ser dominada pela Santa Escritura.
Meditação Deliberada (ou diária) – Ocorre quando alguém separa algum tempo e entra em sua sala privada, ou numa caminhada solitária, e então medita solene e deliberadamente sobre assuntos celestiais.
Thomas White disse que a meditação deliberada emana de quatro fontes: Das Escrituras, das verdades práticas do Cristianismo, de ocasiões especiais e de sermões. “É melhor ouvir apenas um sermão e meditar sobre seu conteúdo, do que ouvir dois sermões e não meditar sobre nenhum deles”. Thomas White
II – O DEVER E A NECESSIDADE DA MEDITAÇÃO
A meditação em Deus, em sua Palavra e em suas obras é um dever de todo cristão, porque é uma ordem de Deus:
Deuteronômio 6.5-9. Destaque para o verso 7 que diz “tu as inculcarás...”
Dt 32.46: “Disse-lhes: Aplica o coração a todas as palavras que, hoje, testifico entre vós...”
Isaías 1.3: “O boi conhece o seu possuidor, e o jumento, o dono da sua manjedoura; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende”.
Lucas 2.19: “Maria, porém, guardava todas estas palavras, meditando-as no coração”.
Quando falhamos em meditar, desconsideramos a Deus e Sua Palavra, e revelamos que não somos piedosos – Cf. Salmo 1.2: “Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite”.
Em segundo lugar, devemos meditar sobre a Palavra como uma carta que Deus nos escreveu.
Em terceiro lugar, ninguém pode ser um cristão sólido sem meditar. “Um cristão sem meditação é como um soldado sem armas, ou um operário sem ferramentas. Sem meditação, as verdades de Deus não permaneceriam conosco; o coração é duro e a memória, efêmera; e sem meditação tudo está perdido”. Thomas Watson
Em quarto lugar, sem meditação, a Palavra pregada falhará em ser-nos proveitosa.
Em quinto lugar, sem meditação, nossas orações serão menos efetivas. “A palavra alimenta a meditação e a meditação alimenta a oração; devemos ouvir para que não erremos e meditar para que não sejamos estéreis”. Thomas Manton
Em sexto lugar, os cristãos que falham em meditar são incapazes de defender a verdade. 
III – A MANEIRA DE MEDITAR
Vejamos algumas sugestões sobre a frequência e tempo de meditação, preparação para a meditação e diretrizes para a meditação:
FREQUÊNCIA E TEMPO
1º) A meditação divina deve ser frequente – o ideal é que seja duas vezes ao dia, mas ao menos uma vez ao dia, caso seja difícil duas. Ilustração: Lembre-se de Josué 1.8.
2º) Estabeleça um tempo para a meditação e persista nesse período. Aproveite o tempo em que você está mais alerta e não apertado por outras obrigações.
3º) Medite regularmente “até encontrares algum benefício sensível transmitido à tua alma”. Isso não significa que você deva passar horas meditando, mas aproveite o tempo reservado para gastá-lo só para esse fim.
PREPARO
  1. Limpe seu coração das coisas desse mundo;
  2. Tenha seu coração purificado da culpa e da poluição do pecado, e despertado pelo fervoroso amor pelas coisas espirituais;
  3. Abrace a tarefa da meditação com máxima seriedade;
  4. Encontre um lugar para meditar que seja tranquilo e livre de interrupções (Mt 6.6).
  5. Mantenha a postura física que seja reverente: Assentado, em pé, andando ou se prostrando diante de Deus. Durante a meditação, o corpo deve ser o servo da alma. O alvo é concentrar a alma, a mente e o corpo na presença do glorioso Deus.
ORIENTAÇÕES:
  1. Comece pedindo a assistência do Espírito Santo. Ore pelo poder de utilizar sua mente e focar os olhos da fé nesta tarefa.
  2. A seguir, leia as Escrituras, então selecione um versículo ou doutrina sobre a qual meditar.
  3. Você pode também selecionar um tema aplicável às circunstância atuais e que beneficie à tua alma. Por exemplo: Se você está triste, sem ânimo, medite sobre as promessas de Deus asseguradas ao seu povo. Se você está aflito por problemas financeiros, medite sobre as maravilhosas providências para com os que são carentes (Mt 6.26).
  4. Exercita-te na prática de decorar versículos bíblicos e tente aplica-los ao cotidiano.
  5. Tenha o hábito de anotar sermões e, durante a semana, procure meditar sobre os pontos principais.
  6. Use “o livro da consciência, o livro da Escritura e o livro da criação”. Exemplo: Lucas 2.19: “Maria, porém, guardava todas estas palavras, meditando-as no coração”.
  7. Lembre-se de que a leitura da Bíblia, a meditação e a oração formam uma unidade.
  8. Conclua sua meditação com oração, ação de graças e cânticos espirituais. “A meditação é o melhor começo da oração, e a oração é a melhor conclusão da meditação”. George Swinnock
  9. Por fim, que a meditação e a prática, como duas irmãs, andem de mãos dadas. Meditação sem prática apenas aumentará sua condenação.

IV – OS BENEFÍCIOS DA MEDITAÇÃO
Os puritanos, defensores entusiastas da meditação, enumeravam dezenas de benefícios, utilidade, vantagens ou melhoramentos da meditação. Vejamos alguns:
  1. A meditação ajuda a aumentar o conhecimento da santa verdade (Pv 4.2);
  2. A meditação amplia nossa fé, ajudando-nos a confiar no Deus das promessas em todas as nossas tribulações.
  3. A meditação estimula ao arrependimento e a transformação da vida (Sl 119.59; Ez 36.31)
  4. ... É uma grande amiga da memória
  5. ... Nos ajuda a visualizar o culto como uma disciplina a ser cultivada. Ela nos leva a preferir a casa de Deus à nossa própria.
  6. ... É um auxílio à oração (Sl 5.1).
  7. ... Nos ajuda a ouvir e ler a Palavra com real benefício.
  8. ... Nos capacita para “o cumprimento dos deveres religiosos, porque ela comunica à alma o senso e sentimento vivos da bondade de Deus; e assim a alma é estimulada ao dever”.
  9. ... Ajuda a prevenir pensamentos vãos e pecaminosos (Jr 4.14; Mt 12.35).
  10. ... Nos ajuda, inclusive, a tomar decisões de forma mais consciente e consistente, evitando-nos de precipitações pecaminosas.
  11. ... Nos ajuda a perseverar na fé; Ela mantem nossos corações apetitosos e espirituais em meio a todos os nossos empreendimentos externos e mundanos.
  12. ... É uma poderosa arma que afasta Satanás e a tentação (Sl 119.11,15; 1Jo 2.14).
  13. ... Nos ajuda a beneficiar outros com nossa comunhão e conselhos espirituais (Sl 66.16; 77.12; 145.7).
  14. A meditação promove a gratidão por todas as bênçãos derramadas por Deus sobre nós, através de Seu Espírito.
  15. A meditação glorifica a Deus (Sl 49.3).

CONCLUSÃO:
Meditação não é oração, mas é feita com oração; Não é leitura bíblica, mas deve ser feito com (ou após) a leitura bíblica.
A meditação promove crescimento espiritual e é agradável aos olhos de Deus.
Por isso, estimule-se ao exercício da meditação para que também “as palavras dos [seus] lábios e o meditar do [seu] coração sejam agradáveis na [...] presença do Senhor, rocha [sua] e redentor [seu]”. Salmo 19.14

Cabrália, 06 de Setembro de 2015.

Baseado no Livro "Espiritualidade Reformada", de Joel Beeke, no capítulo que fala sobre "A prática puritana da meditação", pág. 109. Editora Fiel, São José dos Campos - SP, 2014.  

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

PENSANDO UM POUCO SOBRE A ALIANÇA DE DEUS...


A CIRCUNCISÃO E O BATISMO INFANTIL


Recentemente, li um artigo de um conhecido e respeitado pastor batista, que dizia que a circuncisão não poderia servir de base para a afirmação de que o batismo infantil é a continuação do significado da circuncisão no Antigo Testamento. Seu argumento se firma no fato de que a circuncisão era um rito que tinha por finalidade ingressar pessoas a uma raça, ou, conforme suas próprias palavras, “a circuncisão isoladamente considerada, não era um selo de fé, mas apenas uma marca distintiva no corpo dos que participavam da Antiga Aliança”. Entretanto, sua afirmação parece não se harmonizar com a teologia bíblica da circuncisão.

Vejamos, primeiramente, o propósito de Deus em instituir a circuncisão. Em Gênesis 17 Deus anuncia o estabelecimento de sua aliança com Abraão e sua descendência (v. 7), através de um símbolo externo (v. 10). Esse símbolo evidenciaria ou seria posto como sinal de que foi feito uma aliança entre Deus e Abraão (v. 11).

Mais à frente, no verso 13, Deus diz a Abraão: “...a minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua.” Ou seja, já no início da instituição do símbolo, Deus deixa bem claro que a sua intensão era selar ou marcar aqueles que lhe serviam ou que pertenciam a ele não só como uma raça (uma nação), mas como membros de sua aliança.

Agora veja o verso 12: “O que tem oito dias será circuncidado entre vós...tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro, que não for da tua estirpe.” Quer dizer, “desde o dia da sua instituição original como sinal de aliança, a circuncisão esteve aberto aos gentios. Não se pretendia que ela fosse exclusivamente um símbolo racial, mas, de maneira mais ampla, um sinal de aliança.”[1]

Não estamos dizendo com isso, que a circuncisão não tinha como objetivo estabelecer o tipo de nacionalidade que o circuncidado pertencia, mas estamos afirmando que o maior de todos os objetivos era tornar visível a aliança feita por Deus com o seu povo. Isso se torna mais claro quando compreendemos o que significava essa aliança feita por Deus.

Na realidade, a essência da aliança representava o relacionamento de Deus para com o seu povo e do seu povo para com Deus. “Começando na época da instituição e estendendo através da história de Israel, a circuncisão indicava o status de um homem em relação a Deus tanto quanto seu status em relação à nação de Israel.”[2]

Por exemplo, em Deuteronômio 10.16, Moisés diz ao povo de Israel: “Circuncidai, pois, o vosso coração e não mais endureçais a vossa cerviz.” Também no capitulo 30 de Deuteronômio, verso 6, mais uma vez se diz: “O Senhor, teu Deus, circuncidará o teu coração e o coração de tua descendência, para amares o Senhor, teu Deus, de todo o coração e de toda a tua alma, para que vivas.”

A circuncisão não era apenas um sinal externo que apontava para uma realidade externa (raça), mas também uma realidade interna que apontava para algo que deveria nascer do coração (amor, obediência e adoração a Deus). Para que alguém servisse a Deus, não era necessário apenas um sinal externo, mas uma realidade interna, e a circuncisão apontava para estes dois pontos. Neste caso, a circuncisão apontava não somente para o que o homem deveria fazer para com Deus, mas, principalmente, para o que Deus já havia feito no homem.

Assim, cremos que o batismo é a continuidade do que a circuncisão representava no Antigo Testamento, pois também representa a inserção de pessoas à aliança de Deus como o seu povo exclusivo. As Escrituras demonstram que Deus não só se relaciona com indivíduos, mas também com famílias e o batismo infantil evidencia e ratifica essa verdade.

Uma prova inequívoca desta verdade está no discurso de Pedro durante o pentecostes em Atos dos Apóstolos, capítulo 2. No verso 38, ele responde a pergunta feita por seus ouvintes que indagavam: Que faremos? E Pedro responde: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar.”

Uma outra prova de que o batismo infantil é a continuação do que representava a circuncisão é 1ªCoríntios 7.14. Neste texto, o apóstolo Paulo diz que, por causa da parte crente, os seus filhos são santos ou separados, porque fazem parte da aliança que Deus estabelecera com a parte crente.

A circuncisão antecede à Lei de Moisés, porque refere-se ao início da aliança da graça de Deus feita com o seu povo. Deus havia dito a Abraão que esta aliança é perpétua, ou seja, não tem fim.

O pacto da lei passou, é verdade, mas a Aliança da graça feita a Abraão, não. As ordenanças, os símbolos dessa aliança, mudaram: primeiro só a circuncisão; depois foi acrescida a páscoa, e depois ambas foram substituídas pelo batismo e pela ceia do Senhor. Mas a aliança é a mesma.

É isto o que o Apóstolo Paulo afirma em Gálatas 3.17, demonstrando que a lei de Moisés não pode invalidar a aliança com Abraão. 

Logo, a aliança mencionada no Novo Testamento não é uma outra aliança, uma aliança recentemente estabelecida, que anulou a aliança feita com Abraão; mas a mesma aliança renovada por Aquele que é o Mediador da aliança – Jesus (cf. Gálatas 3.27,29).[3]

O fato é que a igreja é a mesma. Somos membros de um mesmo corpo. Somos a “comunidade do pacto”. Somos os verdadeiros descendentes de Abraão – cf. Gl 3.7. Somos os ramos que foram enxertados; tornamo-nos participantes da mesma raiz e da mesma seiva da oliveira – cf. Rm 11.17. O meio de salvação também não mudou. Continua sendo pela graça, por meio da fé, como era no A.T. – cf. Rm 4.1-17. Logo, por que razão os filhos dos membros da nova aliança deveriam ser excluídos da comunidade do pacto, da igreja visível? Por que lhes negar o selo do pacto, a saber, o batismo?[4]

                                                                                                                   Com amor,
Rev. Luiz Ancelmo


[1] ROBERTSON, O Palmer, Cristo dos Pactos, Ed: Luz para o Caminho, Campinas, SP, pág. 135.
[2] Idem, p. 138
[3] ANGLADA, Paulo, O Batismo Infantil – o que os pais deveriam saber acerca deste sacramento. Ed: Os Puritanos, Recife – PE, pág. 43
[4] Idem, p. 43

sábado, 4 de maio de 2013

PENSANDO UM POUCO SOBRE O QUE É SALVAÇÃO...


O LIVRE ARBÍTRIO É DIABÓLICO!

Ficou chocado com o título? Uma vez, ao entrar em um ônibus urbano, dei de cara com uma pessoa que estava lendo um jornal de uma dessas igrejas neopentecostais e na página principal estava estampado a matéria: “A doutrina da Predestinação é Diabólica!” Confesso que me assustei com o título e, é claro, não posso concordar com tal definição.

Mas, para mim, a doutrina do livre arbítrio é que é diabólica. Preciso primeiramente explicar esta afirmação. Diabólica não porque tenha nascido, necessariamente, do diabo, mas se torna diabólica quando é usada pelo diabo para continuar com a sua estratégia de enganar as pessoas.

Estou lendo um livro, na verdade um verdadeiro Best Seller, de um famoso escritor cristão, chamado C. S. Lewis, intitulado de “Cartas de um diabo a seu aprendiz”. Nesse livro, C. S. Lewis, de forma brilhante e bem original, mostra, mesmo que em forma de ficção (mas que corresponde a uma realidade existente), como o diabo planeja seus ataques e quais são as suas principais estratégias na missão de impedir que os homens cheguem ao conhecimento verdadeiro de Deus e seja, pelo próprio Deus, transformado.

Minha intenção aqui não é narrar o que escreveu Lewis nesse livro, mas, em sua primeira “carta” do diabo ao seu aprendiz, relata-se a preocupação do diabo em não permitir que o homem chegue ao total conhecimento da verdade, e uma das estratégias usada pelo diabo é o de não permitir que qualquer assunto seja levado para o campo da argumentação. Ele diz: “O problema da argumentação é que ela leva a batalha para o campo do Inimigo” (pág. 02). O inimigo aqui seria o inimigo do diabo, que é Deus.

Me parece que esta é também uma estratégia usada pelo diabo, todas as vezes que um cristão (reformado) começa a falar sobre a doutrina do pecado ou, consequentemente a esta doutrina, a doutrina da predestinação ou doutrina da eleição, porque falar sobre esse assunto requer argumentação e isso é tudo o que o diabo não quer.

Na minha experiência como pastor, todas as vezes que tratei desse assunto, muitas pessoas disseram mais ou menos a mesma coisa: “Esse é um assunto difícil de se entender”. Entretanto, não é porque é difícil de se entender (eu particularmente não acho difícil), que se torna impossível de se entender.

Então, partir para o campo da argumentação é tudo o que o diabo não quer. Ele quer que as pessoas continuem no caminho da mediocridade, pois pensar que Deus deixou a cargo das pessoas escolherem o caminho do bem ou do mal, é mais fácil de entender e não requer muita argumentação. Mas, lembre-se, tudo o que o diabo não quer é argumentação.

Agora pensem comigo. Se alguém diz: “Você só pode aceitar a Cristo se você quiser. Deus te deu livre arbítrio. Ele não pode te forçar a fazer o que você não quer”, etc. Mas, como entender, à luz dessa “argumentação”, por exemplo, Efésios 2.1 ou o v. 5 e o verso 8 que diz: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus”. Ou outros textos que afirmam que o homem está morto espiritualmente por causa do pecado: Colossenses 2.13; Romanos 5.12; 5.14; 6.23; 7.13; 1ªaos Coríntios 15.21; Tiago 1.15; 1ª João 3.14; etc. Existem outros textos que falam de uma ressurreição espiritual. Ora, só existe a necessidade de ressurreição para quem está morto, observem, então, esses textos: Romanos 6.4-5; Efésios 2.5; Colossenses 2.12; 3.1. Todos esses textos falam de uma mesma realidade, a ressurreição para os que estavam mortos. Porventura, alguém que está morto espiritualmente pode ter livre arbítrio? Pode ter o poder de escolher viver?

Assim, a doutrina do livre arbítrio se torna diabólica porque leva o homem a ter uma falsa sensação de segurança e de auto-controle, sentimentos muito apreciados pelo diabo que quer convencer o homem a pensar que as escolhas sempre devem partir dele mesmo, tanto para fazer o bem como para fazer o mal, e que Deus fica apenas no meio da plateia torcendo para que o homem escolha servir a Ele.

Com amor, Rev. Luiz Ancelmo




terça-feira, 19 de março de 2013

PENSANDO UM POUCO SOBRE A IMPORTÂNCIA DA CONFISSÃO DE PECADOS...


QUANDO TENTAMOS ESCONDER OS NOSSOS PECADOS

TEXTO BÁSICO: 2º SAMUEL 11.1-25

Você teria coragem de tornar público os seus mais graves pecados? O que você é capaz de fazer para esconder seus pecados?

Davi havia adulterado. Cometeu este pecado com a mulher de um de seus soldados. Quando descobriu que sua única noite com Bate-Seba havia provocado sua gravidez, ele tentou esconder suas atitudes pecaminosas. E as consequências foram terrivelmente desastrosas.

Primeiramente, Davi tentou criar um álibi para dizer que a gravidez de Bate-Seba não foi proveniente de seu caso com ela (versos 7-8). Davi manda chamar Urias do meio de uma guerra para tentar convencê-lo de que ele precisava voltar para casa. A intenção de Davi era a de fazer com que Urias, naquela noite, se deitasse com sua esposa para fazer parecer que a sua gravidez era proveniente desta noite com Urias, seu esposo.

E o que fez Davi:

1.   Pediu para que Urias fosse para casa descansar e deu-lhe um presente – verso 8. Isso não deu certo (versos 9-10) visto pelas próprias palavras de Urias no verso 11.

2.   Davi fez com que Urias comesse à sua mesa e o embebedou esperando que, embriagado, ele voltasse para a sua casa – versos 12 e 13.

Todas estas tentativas foram frustradas, até Davi tentar uma última coisa: Ele cria uma situação fora de suspeita para provocar a morte de Urias (Cf. versos 14-17).

Como nada convencia Urias a voltar para sua casa, a última tentativa de Davi de esconder seu pecado foi provocar a morte de Urias. Ele escreve uma carta a Joabe, comandante de seu exército, explicando como a morte de Urias deveria ser provocada e o portador desta carta é o próprio Urias.

Urias, sem saber, levava em suas mãos a sua própria sentença de morte. Urias morre e sua esposa, Bate-Seba, leva avante sua gravidez cujo pai era o próprio assassino de seu marido. No capítulo doze lemos que Bate-Seba tem o filho, mas, logo em seguida a criança morre.

Ao ler essa história, fico pensando – Será que isso tudo poderia ter sido evitado? Podemos, de fato, evitar o pecado? Penso que sim, até mesmo nesse caso de Davi. E esta minha conclusão vem de uma leitura do próprio texto, em seu início...

Davi poderia ter evitado tudo isso se tivesse ido à guerra (Veja o verso 1).
Bem, antes que alguém me entenda mal, gostaria de explicar que eu creio que nada acontece por um simples acidente, como se Deus não tivesse controle das nossas vidas e de toda a história, mas, em matéria de pecado, a culpa sempre será do próprio pecador. Por isso, acho que Davi pecou porque fez uma escolha errada, ele ficou em Jerusalém.

CONCLUSÃO:

E você, alguma vez já tentou esconder ou camuflar algum pecado? Até aonde você foi? Quais foram as consequências?

Atenção, escolhas erradas podem provocar estragos que nem você e nem o tempo poderão apagar ou desfazer, por isso, humilhe-se diante de Deus e confesse o seu pecado e não tente mais escondê-lo.

Leia o que o próprio Davi, após arrepender-se do seu pecado, escreveu no Salmo 32.

Esconda os seus pecados e você morrerá (Rm 6.23) ... Confesse-o, e experimentará a mais doce e prazerosa vida que Deus tem para todos os que se humilham perante ele.

Com Amor, Rev. Luiz Ancelmo